Web semântica, softwares abertos, sistemas de busca, monopolização de leitura de arquivos, interpretação de dados e todas as vertentes ligadas a esses temas devem dar o que falar em 2010. Foi o que sinalizou o debate “Web Semântica, Interatividade e Cidadania”, coordenado por Sergio Amadeu da Silveira. O evento integrou a programação do Seminário de Cidadania e Redes Digitais, que aconteceu na Faculdade Cásper Líbero no final do ano e reuniu gente que pensa e faz o mundo digital brasileiro.
Foram abordados aspectos atuais e muito interessantes, ainda pouco explorados nas redes, como o OpenDocument Format (ODF http://br.odfalliance.org), um formato padrão para documentos. Para entender melhor: os documentos hoje em dia salvos como .docx, .xlsx ou pptx pelos aplicativos Microsoft Office são como hieróglifos, que apenas podiam ser lidos e interpretados por alguns membros da sociedade que sabiam ler os símbolos. Hoje em dia acontece o mesmo, mas com os programas do Microsoft Office. Se você não possui o Word e tentar abrir um arquivo de texto na sua máquina, aparecerão apenas caracteres sem nenhuma coerência.
Já os documentos desenvolvidos por softwares Opensource podem ser abertos em qualquer máquina, pois mesmo sem o software que criou o arquivo, ao invés de caracteres sem coerência será mostrado o arquivo de texto como ele é, apenas sem a formatação e padronização do software utilizado, ou seja, você pode abrir seu arquivo de texto ou tabela em qualquer computador, com qualquer sistema operacional ou aplicativos de leituras desses arquivos específicos.
É aí que entra a Web Semântica, a interpretação de dados, palavras, imagens na internet pelos computadores, que tem sido associada frequentemente com a Web 3.0. Com a implementação dos softwares opensource, será possível essa interpretação dos computadores, pois mesmo sem o software utilizado na criação do arquivo, as máquinas irão ler e interpretar todos os dados não só da internet, mas também de planilhas, arquivos de textos, entre outros formatos.
Obviamente, há a delicada questão sobre a Microsoft e o controle dos dados. Especula-se o que aconteceria, por exemplo, se a Microsoft decidisse cobrar a cada vez que fossem abertos arquivos com seus softwares. Como a grande maioria das empresas utiliza o sistema Microsoft Windows e seus aplicativos, todos seriam forçados a pagar para não perderem documentos, tabelas e apresentações que são de vital importância para as empresas. Ou seja, empresas do mundo inteiro estariam “à mercê” da Microsoft, tendo de atualizar ou comprar novos softwares acompanhando a demanda de novos serviços e utilidades dos programas.
Atualmente, coexistem os sistemas gratuitos e moldáveis segundo as necessidades dos usuários e os sistemas pagos, que pré-determinam a forma da utilização. Dentre os primeiros, estão sistemas operacionais como o Ubuntu, softwares Opensource, entre diversos outros aplicativos gratuitos e colaborativos. Um exemplo é também a Wikipédia, que é feita pelos usuários e para os usuários. Mais informações? Dê uma googleada. Pelo menos por enquanto, se o Google não sabe, ninguém sabe!
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Grudaemmim 2009